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O perigo de sermos totalitários

O quão totalitário somos? A resposta você poderá encontrar lendo o primeiro livro de Francisco Razzo, filósofo e palestrante. Com uma linguagem clara e bastante acessível, Razzo nos conduz em uma profunda reflexão sobre a imaginação totalitária. Como afirma mais de uma vez, o objetivo do livro não é falar sobre os regimes totalitários históricos, mas sim identificar onde começa o totalitarismo – dentro da nossa mente. Antes de se transformar em um regime político, o totalitarismo brota através da imaginação. Existem pessoas mais inclinadas a ceder a essa imaginação do que outras, uma pequena minoria, mas que pode fazer – e fez – grandes estragos. O fato é que todo o ser humano têm essa tendência, essa inclinação para ser totalitário. E o que é preciso fazer para bloquear tais pensamentos e não levar a cabo o que imaginamos? Ora, desconfiar das nossas boas intenções. Quando confiamos plenamente nos nossos ideais, e que não passa pela nossa cabeça de que possamos estar minimamente equiv…
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Roger Scruton defende em “A alma do mundo” a experiência do sagrado frente aos ateísmos contemporâneos

Um dos mais respeitados nomes do conservadorismo britânico, Roger Scruton evita defender a prática ou doutrina de uma fé em especial.  No entanto, em seu novo livro, “A alma do mundo”, o filósofo lança seu olhar sobre uma visão religiosa do mundo, que, a seu ver, não pode ser captada pelas lentes dos materialistas e dos naturalistas.
Longe de apresentar uma defesa da existência de Deus, Scruton argumenta que, independentemente do significado evolucionista que possa ser atribuído à crença religiosa e seu papel na seleção natural, há uma função fundamental que ela representa, referente à manutenção da vida humana:
“As religiões dão foco e ampliam o senso moral; elas cercam aqueles aspectos da vida nas quais as responsabilidades pessoais estão enraizadas, notavelmente, o sexo, a família, o território e a lei. Elas alimentam as emoções distintamente humanas, como esperança e caridade, que nos elevam acima dos motivos que regem a vida dos outros animais e nos levam a viver pela cultura, não …

O Diário do Diabo, de Robert K. Wittman & David Kinney

Durante o julgamento de Nuremberg, o diário de Alfred Rosenberg havia sumido. Muitos anos depois do julgamento, começa a caça pelo diário de um dos homens mais influentes e mais íntimos de Hitler. O livro narra a busca pelo objeto valioso, sob o ponto de vista histórico, de forma romanceada e é quase uma aventura essa busca. Robert Kempner, um advogado que atuou incansavelmente para que os criminosos nazistas fossem condenadas e não ficassem soltos e impune, pegou o diário e nunca mais devolveu. Assim como tantos outros documentos importantes sobre o período nazista, que estava sob a responsabilidade do governo americano. Depois de morrer, começa uma pequena batalha para dois homens ter acesso aos documentos armazenados em muitas caixas numa casa antiga de Kempner. Um deles, um advogado oportunista, e o outro, arquivista do Museu do Holocausto. Depois de muitas manobras, chantagens e incredulidade – pois ninguém tinha visto tal diário, nem sabia se ele existia – a busca tem um fim com…

A hipótese humana, de Alberto Mussa

Um romance policial de assunto histórico, segundo o próprio escritor. Rio de Janeiro, século XIX. Um crime não solucionado, e um desfecho um pouco óbvio. Em A Hipótese Humana, o quarto livro do compêndio mítico sobre os séculos da história do Rio. De fato, mítico. Não li os três livros anteriores, mas neste o mito está bem presente. Assim como as crenças e rituais místicos daquela época. Domitila, filha do coronel Francisco Eugênio, é encontrada morta em seu quarto. Mas sabemos que Tito Gualberto lá esteve antes do assassinato (?) da sua prima, e amante. O coronel escuta barulhos vindos do quarto provisório da filha, situado no térreo ao lado da biblioteca, e adentra-o tarde demais, pois só vê um vulto além da janela e dispara contra quem quer que seja. O detetive, ou investigador, como você queira chamar, é o próprio Tito, amante da vítima. Suspeita primeiramente do marido de Domitila, Zé Higino. Mas tudo parece muito confuso, e o caso mostra ser bem mais complexo do que se imagina.

Em águas sombrias, de Paula Hawkins

Em águas sombrias é um Thriller bom. A narrativa se concentra na morte de Nel Abbott, uma mulher ‘encrenqueira’ que estava disposta a contar a história do Poço dos Afogamentos, e sobre as mulheres que foram atraídas pelas águas sombrias do rio. Atraídas e mortas. O tema morte e suicídio ganha ares sobrenaturais, com vozes sendo ouvidas pelas personagens e algo demoníaco envolvendo todas essas mortes. Agora Nel estava morta e deixara para trás muitas dúvidas e nenhuma resposta. Sua irmã Jules se vê de volta a um passado dolorido, e que culpava Nel por tudo o que lhe acontecera. Agora teria que lidar com Lena, pois ela era a sua única família. Lena a princípio insinua que a mãe tinha se suicidado, o que de certa forma ela acredita. Jules, não. Mas a cidade do interior da Inglaterra, Beckeford, é cheia de mistérios e todas as personagens vivem uma vida conturbada, cheia de mistérios a serem revelados.
São três as mulheres que supostamente se renderam ao chamado das águas: Lauren, Katie e …

A maldição de Stalin, de Robert Gellately

O Brasil, nos últimos anos, vive um momento de acalorado debate político. E quando se trata de política, logo pensamos em ideologias. Esquerda versus direita, comunismo versus liberalismo. E este livro bem escrito e pesquisado, traça um perfil sobre não a figura em si de Stalin, mas sobre como ele governou com mão de ferro – e cortina também – a URSS e todos os países satélites da mãe-pátria. É um livro importante para todos aqueles que, antes de sair bradando suas opiniões nas redes sociais, gostam de pesquisar um pouco para poder debater certos assuntos com mais propriedade. Ninguém duvida de que o nazismo foi uma ideologia sanguinária e desumana, que ceifou milhões de vidas inocentes por uma supremacia racial que o seu líder, Adolf Hitler, queria implantar na Alemanha, de início, e depois em toda a Europa. Já quando se trata do comunismo, vemos pessoas que defendem essa ideologia apaixonadamente e romantiza um período tão triste da História da humanidade. Que ninguém tenha dúvidas …

Silêncio, de Shusaku Endo

Um romance sobre fé, tentação, apostasia e o silêncio de Deus. Ao saber que o padre Ferreira havia apostatado no Japão – pano de fundo desse intenso e angustiante romance –, os padres Rodrigues e Garpe decidem ir ver com os próprios olhos se tal informação procedia. Também decidiram ir para dar o pão aos famintos cristão japoneses, que não tinham mais alguém que os instruísse na fé e os ensinassem as doutrinas do cristianismo. Mesmo sabendo dos perigos que enfrentariam, pois o magistrado Inoue era conhecido além-mar por sua fúria e métodos cruéis para com aqueles que professavam e não negavam a fé em Deus. Mas, ao chegar clandestinamente ao Japão e ver em quais condições aqueles pobres coitados camponeses viviam, uma batalha interior emerge de dentro da alma dos padres – mais em Rodrigues, do que em Garpe. Pouco conhecemos o padre Garpe, pois a narrativa é do próprio Rodrigues que enviara cartas à Portugal, terra dos dois sacerdotes, e depois um narrador em terceira pessoa dá prossegu…

"Bartleby, o escrivão", de Herman Melville

Ao ler “Bartleby, o escrivão”, o leitor fica curioso em saber mais do personagem tão excêntrico. A história é narrada por um advogado, dono de um escritório, que começa a explicar como conheceu Bartleby. Primeiro apresenta seus funcionários e suas manias peculiares, pois Nippers pela parte da manhã tem um temperamento efusivo, mas a tarde fica gentil; e Turkey agia de modo semelhante, mas ao contrário: pela manhã era cortês e gentil, e à tarde era, como o próprio narrador o descreve, insolente. Mas o que o levaria a continuar empregando esses homens tão estranhos? Podemos julgar o caráter dele pelo modo que trata Bartleby. É um homem paciente, e que gosta de ver o lado positivo e lucrativo das coisas. O terceiro empregado é um menino, aparentemente normal. Mas quando conhece Bartleby, a história beira o absurdo. Não sabemos o seu nome, só que era advoga e idoso quando começou a contar quem era Bartleby.
“Preferia não fazê-lo” é uma frase que será repetida várias vezes, e que fará parte…