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A alma do mundo, de Roger Scruton

Para Roger Scruton, um dos filósofos mais importante da atualidade, não podemos explicar o mundo apenas pelas ciências naturais. Em seu mais recente livro publicado pela Editora Record, Scruton argumenta contra essa tendência de querer explicar cientificamente o que não se pode ser explicado cientificamente. O indivíduo, o self, não pode ser analisado pela ciência com o propósito de explica-lo, assim como o mundo, a música, a religião, o sagrado e as relações eu-você. Nos primeiros capítulos a compreensão pode ser um pouco difícil, pois o filósofo contrapõe os argumentos científicos (como a psicologia evolutiva) que afirma que o que fazemos é determinado pelos nossos genes. Mas não tentarei explicar o que é bastante complicado para entender, por isso deixo essa tarefa para o próprio Scruton.
As nossas associações, o nosso ato de sacrificar pela família ou pátria, nossos contratos, relacionamentos e até a nossa crença faz parte de um mundo que não se pode explicar pela ciência. O nosso …

O Diário do Diabo, de Robert K. Wittman & David Kinney


Durante o julgamento de Nuremberg, o diário de Alfred Rosenberg havia sumido. Muitos anos depois do julgamento, começa a caça pelo diário de um dos homens mais influentes e mais íntimos de Hitler. O livro narra a busca pelo objeto valioso, sob o ponto de vista histórico, de forma romanceada e é quase uma aventura essa busca. Robert Kempner, um advogado que atuou incansavelmente para que os criminosos nazistas fossem condenadas e não ficassem soltos e impune, pegou o diário e nunca mais devolveu. Assim como tantos outros documentos importantes sobre o período nazista, que estava sob a responsabilidade do governo americano. Depois de morrer, começa uma pequena batalha para dois homens ter acesso aos documentos armazenados em muitas caixas numa casa antiga de Kempner. Um deles, um advogado oportunista, e o outro, arquivista do Museu do Holocausto. Depois de muitas manobras, chantagens e incredulidade – pois ninguém tinha visto tal diário, nem sabia se ele existia – a busca tem um fim com uma operação de agentes federais americanos. Tudo muito cinematográfico, eu sei.

De acordo com as palavras dos líderes do partido, o relatório de Kempner argumentava que o nacional-socialismo era mais do que uma organização política; era um culto radical “altamente centralizado”. Esperava-se que os seus membros fossem uma “ferramenta obediente” e falassem a uma só voz. Os nazistas pretendiam substituir a república por uma ditadura. Embora alegassem trabalhar para promover mudanças internas mediante a eleição de deputados, na verdade eram revolucionários que nunca renunciaram à ideia de tomar o poder pela força.

O conteúdo do diário traz memórias do ideólogo e suas desconfianças e disputas com os rivais dentro do próprio partido. Alguns o chamavam de pedante, outros de louco e perigoso. Suas ideias conspiratórias e antissemitas sobre uma sociedade secreta judaica que, segundo ele, queria controlar o mundo ajudou o partido nacional-socialista a ganhar força. Um dos erros gravíssimos do livro é associar as palavras direita e socialismo como se fossem parte de um único lado. Como se pode ser de direita e socialista? Como alguém pode ser de direita e revolucionário ao mesmo tempo? Talvez porque o nazismo odiava o “bolchevismo judeu” e queria exterminar os comunistas da Europa? O livro, apesar de ser bom, tenta colocar a direita como a única culpada do nazismo – essa ideia tão difundida entre os comunistas – e pinta uma esquerda vítima de algo pior do que os terrores da URSS. O leitor que não se interessa pela política, vai terminar a leitura do livro odiando tudo o que se chama de direita. Não estou isentando-a por estar desse lado do espectro político, mas por não ser condizente com os fatos históricos.

Adolf Hitler e Alfred Rosenberg tinham muito em comum. Embora tenham crescido fora da Alemanha, os dois eram igualmente fascinados pelo passado miticamente heroico do país. Eram jovens quando perderam os pais. Ambos estavam mais interessados em desenhar, ler e sonhar acordados do que em seguir carreira na arquitetura. Na juventude, recorreram às sopas gratuitas para encher os estômagos vazios. Quando se encontraram, não demorou muito para descobrirem que estavam de acordo quanto ao que consideravam os principais problemas da época: o efeito prejudicial das igrejas, o perigo do comunismo e a ameaça dos judeus.


Lemos sobre como Rosenberg, que não era em nada ariano, conheceu o jovem Hitler e a primeira tentativa do grupo nazista tomar o poder. Os absurdos cometidos contra os judeus e qualquer um que se mostrasse opositor ao nazismo são revoltantes. Ironia ou não, tanto Rosenberg como Hitler trabalharam para judeus enquanto não passavam de figuras anônimas. O delírio de uma raça superior tomou a mente desses homens e levou a um genocídio que só perde em números para o comunismo. O leitor mais curioso e estudioso do tema, assim como eu sou, não poderá ler o diário de Rosenberg completo - uma pena. Este livro contextualiza trechos do diário e explica os acontecimentos com o auxílio de historiadores diversos. Para aqueles que gostam de História, o livro é bastante interessante para entender um pouco sobre o que se passava na mente de um homem que decidiu dar uma Solução Final ao povo judeu. 

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